Sexta-feira, 28.05.10

Rosas para um ATÉ SEMPRE...

http://static.daflores.com/images/product_big_0053.jpg

 

 

Ontem, partiste sem avisar..

Incrédula e nervosa, andei a colher rosas, as mais bonitas que encontrei...

E enquanto o fazia, lembrava-me de ti, do teu rosto SEMPRE sorridente, do teu entusiasmo, dos projectos que partilhámos, das noites de alegria

que vivemos a preparar as festas da ACAP, do sonho de construir um Lar onde os idosos da nossa Aldeia se sentissem felizes , acompanhados e junto da família...

E continuei a recordar-te, quando há tempo estivemos uma manhã a conversar no Rossio...

Sobre a Vida, os filhos, os teus filhos de que tanto te orgulhavas, a sua vida de cientistas, discretos, mas tão importantes na Medicina e na Biologia...do Manel, do teu coração que de vez em quando se mostrava cansado desta vida...

E falámos também da outra Vida, daquela que nos é misteriosa, e que por isso mesmo, tanto  nos fascina...

Com muito carinho, fiz um bouquet, colorido como a tua ALEGRIA, enlacei-o com uma fita branca, como a tua pureza de Alma e fui procurar-te...

O teu corpo ainda ali estava...frio, sem graça, mas sereno...

Falei-te em silêncio, disse-te da minha amizade e de todas as recordações que te vão manter viva, entre nós...

E juntei-me à Céu e à Carlota...

A tristeza e a surpresa unia-nos profundamente...

Estávamos só as quatro amigas...nós e tu...

E eu, para as consolar naquela dor, falava daquilo em que acredito...que estavas ali, concerteza, mas de outro modo, a pairar sobre nós,a ouvir-nos, a sorrir porque conhecias a nossa Amizade e a querer dizer-nos que agora o teu coração já não batia cansado... mas tinha mesmo parado...

Pensativas, meditávamos sobre esta esperança de que a Vida não acába quando o corpo morre...

Nisto, olho para ti e ...uma golfada de sangue soltou-se da tua narina...

Senti-me abençoada...estavas a dar-nos um sinal de que estavas ainda connosco e a ouvir-nos...

As nossas outras amigas assustaram-se um pouco...

Eu, já sabes como sou quando é preciso tomar uma atitude e arregaçar as mangas...

Peguei em lenços de papel e carinhosamente, falando sempre contigo, limpei-te o rosto...

Fiquei feliz e em paz, amiga São...deste-me o privilégio de "falar" comigo...

Sinto que  também estás em Paz...e não nos esqueceremos..

ATÉ SEMPRE ...

sinto-me: EM PAZ
publicado por Belisa Vaio às 18:44 link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Domingo, 23.05.10

FAVAS...

http://www.gardenersanonymous.com/the_gardeners_anonymous_b/images/2007/05/02/favas_in_bowl.jpg

 

 

O mês de Maio está prestes a chegar ao fim e as favas também...ou seja, como diz o ditado popular, Maio as trás...Maio as leva...

A minha mais nova amiga Bete, dizia-me há dias que não conhecia muito bem este alimento, a não ser através da expressão "Vai à Fava"...que é como quem diz..."não me aborreças...etc...etc..."

Pois bem, eu conheço-as desde criança, sobretudo de as ver crescer na horta da minha avó, de as descascar e de as comer...mas, só hoje resolvi saber mais a respeito das ditas...

E basicamente que...são leguminosas oriundas do Perú e muiiiiito nutritivas, é claro.

Para mim, as melhores, são as que se cozinham em minha casa ou seja, o cheiro, o paladar, a côr, o tempero, enfim, tudo o que a memória guarda e me leva de retorno às minhas origens, funciona como que um ideal, um marco, uma bitola e... a partir daí...é isso...são as melhores...

E então...como são cozinhadas?

Muito simples...

Depois de se apresentarem como na imagem, mas sem aquele apêndice...que se tira com a unha...para ficarem mais bonitas...cozem em água e sal. Convém que sejam tenrinhas, claro...

À parte, e numa frigideira larga, colocam-se rodelas de bom chouriço de carne e tirinhas de toucinho de porco. Se o toucinho for "gordinho" não precisa de levar outra gordura. Fritam-se bem estas duas carnes e juntam-se as favas escorridas da água, claro. Temperam-se com folhas verdes de alhos (que se colhem em Junho...), partidas em bocados largos. Abafam-se um pouco para ganharem aquele paladar especial e depois saboreiam-se, mas é melhor não abusar muito, porque é um prato que apesar de "peitoral", é também  pesadote...

Então não é recomendável?...Eu tenho um segredo...No fim do repasto...que tal um licorzinho?   Experimentem...

sinto-me:
música: ...aquela do nosso José Cid...
publicado por Belisa Vaio às 18:07 link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Terça-feira, 11.05.10

O Bolo da minha infância...

https://farm4.static.flickr.com/3491/3244102098_593333d506.jpg

 

A minha avó materna era, como eu, capricorniana!!

Organizada, mandôooona (!), com muitas qualidades e algumas outras atitudes que eu, mesmo criança questionava muitas vezes, mas tinha um dedo para a cozinha, que era uma maravilha!

Lembro com saudade os almoços de família...Eles, os filhos e nós, uns poucos de netos...

E naquele tempo - anos 60 . a cozinha portuguesa de uma família abastada, mas com raízes rurais, era, sem dúvida, muito saudável e de substância, porque se abastecia na horta e na capoeira da casa e portanto, com muita qualidade e muita fartura!

Ainda sinto o paladar inconfundível do leite de cabra e dos queijos, do tipo Rabaçal que a avó fazia, do galo tostado no forno com batatinhas, ou com arroz pardo, do cabrito assado servido com grelos e arroz de miúdos, enfim e para coroar o repasto "aquele" Bolo Podre que só ela fazia e de que ninguém conhecia a receita!

Era sempre um bolo enorme, feito numa forma sem buraco. Talvez por ser medido meio a "olho", como ela dizia - não pesava os ingredientes...além de grande e luzidio, nascia-lhe sempre, de um dos lados, uma enorme "batata"  que fazia o delírio e disputa dos netos para ver quem comia aquela massa mais fofa,,,

Bem...os anos foram passando, eu tornei-me uma mulherzinha e achava que aquela receita não se podia perder...

Com jeito para não a ferir, lá ia dizendo que ma desse, para a lembrarmos um dia, sempre que saboreássemos o bolo...e ela já cá não estivesse...

Não foi fácil porque de todos os ingredientes, a quantidade era sempre..."mais ou menos".

Consegui chegar com ela a um consenso e enfim, faço uma aproximação ao original...

Aqui fica meia-receita do dito...que chega cá para casa...

 

Colocar numa taça 500 gr.de açúcar.

Abrir uma cova e juntar 125 gr. de margarina derretida em banho-maria, raspa de 1 limão, 1 colher de sobremesa de canela em pó e 1 colherinha de café de bicarbonato de sódio.

Juntar 4 ovos inteiros. Bater esta mistura muito bem.

De seguida  ir juntando 500 gr.de farinha de trigo alternadamente com uma chávena de leite. Fica uma massa grossa.

Por fim juntar passas de uva, sem grainha e nozes partidas.

É o tipo de bolo que aqui podemos chamar de "farta rapazes"...

publicado por Belisa Vaio às 21:57 link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sábado, 08.05.10

Joe Berardo, bem-haja!

http://www.emmashouseinportugal.com/wp-content/gallery/gallery/rafael.jpg

 

Esta semana foi cheia! Não parei! Mas chego ao fim com a alegre sensação de ter a alma cheia!

Com o "regresso às aulas" na Aposenior, acabou-se a pasmaceira...e...começaram as visitas de estudo!

Na minha primeira vez, fomos a Sangalhos, aqui perto, visitar as Caves Aliança e o Museu Underground Berardo.

O comendador Berardo foi um emigrante português na África do Sul que, além de ali se tornar um dos portugueses mais ricos da actualidade, mostrou ser um homem extremamente sensível e grande coleccionador. É proprietário de inúmeras e valiosas colecções de todo o tipo de obras de arte, que se encontram espalhadas por vários museus em Portugal e no Mundo e é, para mim, digno de toda a admiração. Senão vejamos: Em todos os seus Museus, as entradas são gratuitas! É que ele, tendo sido uma criança pobre, não tinha dinheiro para comprar o bilhete de ingresso para visitar o Museu do Funchal, sua cidade natal. Posto isto, prometeu que, se a vida lhe permitisse e os seus sonhos se cumprissem, as entradas nos seus museus seriam sempre gratuitas, para que o povo pudesse ter acesso, sem restrições à cultura! Grande exemplo!

Mas voltemos às Caves...

Em dois meses, deixaram de ser apenas dedicadas ao fabrico de espumantes e aguardentes e foram enriquecidas com novo décor e as colecções do Comendador: e são várias...arte africana, actual e com 1500 anos, fósseis, minerais (fiquei apaixonada...) azulejos e cerâmicas do grande Rafael Bordalo Pinheiro!

E aquele corredor de que não me esqueço? De um lado, as garrafas de espumante rosée, do outro a parede revestida com enormes cristais de quartzo rosa, oriundo do Brasil...quer dizer, com uma iluminação estratégica, criou-se um ambiente absolutamente de sonho...

Recomendo a todos! Não devemos desprezar a Cultura que chega até nós e não se fica por Lisboa ou Porto!!

 

Entretanto, de passagem por Coimbra, visitei a Feira de Artesanato na Praça da República.

Despertou-me a atenção a grande quantidade, diversidade e qualidade de ceramistas. E ali, coloquei a hipótese de comprar uma imagem da Raínha Santa Isabel, nossa querida padroeira de Coimbra e a quem devo o meu nome.

Acontece que a que mais me seduziu, era completamente fora daquela a que estamos habituados! No dizer da sua criadora e artesã, de Barcelos, era um Raínha Santa minhota! E era! Até tinha nas orelhas uma arrecadas e as rosas eram profusas e muito coloridas! Gostei muito e estou a habituar-me à ideia de a ir buscar, no caso de ela ainda lá estar...Mas depois onde a vou colocar? O meu apartamento é pequeno, está cheio e ELA merece um lugar de excelência!

A ver vamos...

sinto-me: de alma cheia !
publicado por Belisa Vaio às 21:49 link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 04.05.10

Parabéns Papá !!!

 

Hoje, 4 de Maio de 2010, se estivesses connosco, fazias 97 anos !!!

E eu...a tua menina já tenho 61...

Porém,  sinto-me sempre pequena, a caminhar ao teu lado e agarrada à tua mão protectora que me levava a passear...

Sinto saudades de quando íamos ver jogar a Académica,

dos almoços de enguias que tinhas apanhado e que cozinhavas tão bem...,

de ouvir contigo os fados de Lisboa,

de me dares 2$50 para ir lanchar um garoto e um pastel de nata,

de te ver chegar em pânico, quando eu ía sendo atropelada por um jeep,

de sofreres a par comigo quando eu adoecia e de inventares mimos para me alimentares,

das nossas idas a Fátima e da tua ida a Roma,

de quando desligavas o motor do Volkswagen  nas descidas...para poupar(?) gasolina,

do teu coração generoso e de tudo o que me ensinaste sobra a bondade,

das estórias que me contaste, uma verdadeiras...outras imaginárias...

do vulcão das Mochinhas...num dia 1º. de Abril...

de te acompanhar aos ensaios das bandas e dos ranchos e das muitas noites de glória que viveste...

Que sei eu...

Tenho saudades de, pela manhã, saltar para a tua cama, me aninhar ao teu colo e poisar a cabecita no teu braço estendido e ...do teu cheiro...

Do dia em que casei...e das tuas lágrimas (acho que estavas a adivinhar...)

Do amor pelos teus netos

e de estares sempre disponível para realizar os nossos sonhos...

De estares muito velhinho e doente...no Hospital...e dizermos um ao outro quanto nos amávamos...

Sinto que estás muito feliz...

Eu  também estou, porque continuas vivo no meu coração e na minha vida...

sinto-me: Com saudades
publicado por Belisa Vaio às 20:47 link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

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