Sábado, 03.07.10

Aposénior...e os Pastéis de Tentúgal

Hoje tivemos a nossa festa de encerramento das aulas...
Como sempre, a Directora, Drª. Leonor, proporcionou-nos um dia cheio de experiências, a que de outro modo, concerteza, não teríamos acesso.
Entre outras, a que mais me marcou, foi a visita a uma fábrica de Pastéis de Tentúgal...
Nós, que gostamos tanto de saborear aquelas delícias, não fazíamos ideia do trabalho que levam a fazer...
Como diz o senhor José Craveiro, etnólogo e contador de estórias local, é a única receita de pastelaria que não existe...não há pesos, nem medidas...só a experiência de quem os faz, desde o tempo das freiras do convento de Tentúgal, há mais de 400 anos...
A partir de hoje, prometo, vou saboreá-los com mais cuidado, agradecer ao Universo a sabedoria de quem os faz e acima de tudo...achar que são muito baratos, porque...por dinheiro nenhum eu me metia em tal empreitada...
Apenas uma pequena nota...
A massa,  feita apenas de farinha - finíssima - e água é estendida  à mão e no chão, em cima de alvos panos brancos.
Deve ficar tão fina, qual folha transparente de papel, através da qual se possa ler um livro!
Essas pequenas folhas de papel, são sobrepostas (eu pensava que era massa folhada, mas não é...eu vi!)  recheadas com um doce de açúcar, gema de ovo e água..o pastel enrolado e pincelado com um pouco de manteiga e utilizando para essa tarefa uma pena de galinha!
Que tal?

Aqui fica para a posteridade o testemunho do que digo atrás e para fundamentar a saudade nada melhor que a minha querida Balada de Coimbra, para ouvir em momentos muito especiais... 

Quinta-feira, 03.06.10

Os sapatos no Céu...são brancos...

https://1.bp.blogspot.com/_eKtt4kbUIyg/SuXoF0s55lI/AAAAAAAAAT8/XDN3VFQDbVw/s320/sapato7.jpg

 

 

A última aula da Aposénior, saltou do tema de Cultura Portuguesa...e subiu da Terra ao Céu...

Eu explico.

No regresso da nossa viagem de estudo às margens do rio Sado e de que falarei em breve, a Luísa ficou em Lisboa  uns dias, para dar um pouco de mimo - eu costumo dizer, dar de mamar - , aos filhos que estão a iniciar na capital, as suas vidas profissionais...

Como mulher livre e actual, aproveitou e foi ao teatro. Chegou empolgada com uma peça de Ionesco, cujo tema é sobre o modo de cada um  encarar a sua própria morte: "O Rei está a morrer"...

Imediatamente o grupo regressou aos tempos de infância e , tal como na escola,  toda a gente punha o dedo no ar na ânsia de dar a sua opinião sobre o tema e...como encara essa chegada, preparada ou não...

Os que partem demasiado cedo - na nossa opinião (mas quem somos nós para ajuizar se é cedo ou tarde?).

Os que partem tarde -  depois de terem realizado todos os sonhos -  e aceitam a sua chegada com naturalidade...

Também os receios, o mistério, o desconhecido...a falta de Fé ou de Algo em que acreditar...outras religiões, outras crenças, regressões e vidas passadas, reencarnações...

Enfim...cada um à sua maneira...( O Ser Humano é FASCINANTE...)

 

Bem, a dada altura chegou a minha vez...

E disse:

Claro que também já receei a morte e achei que, enquanto não deixasse os meus filhos, crescidos e adultos e, sem necessitarem do meu apoio,

era muito cedo para  fazer essa viagem...mas a partir dos meus 50, quando eles já estavam a caminhar pelas suas próprias pernas e eu me tinha REALIZADO, deixei de ter esse medo...

Já vivi todas as etapas da minha caminhada, as essenciais...fui menina, mulher e mãe...até já sou avó...perdi-me e encontrei-me...sei o que é a liberdade...faço da minha vida um acto contínuo de Amor...

Agora, vou tentando manter a velocidade de cruzeiro e...esperar com serenidade a chegada desse dia...

Até já disse às minhas  Amigas: Quando eu morrer, quero que ponham no meu túmulo, uma lápide que diga: Aqui jaz uma mulher que foi Feliz!

 

Acabo de dizer isto e a sala explodiu com risos, palmas, abraços e beijos!!

Os colegas...pelo inesperado, desataram a bater palmas e a professora veio direita a mim, rodeou-me os ombros e deu-me um beijo na testa...

Nisto, eu que fiquei surpresa  e feliz com a reacção deles disse: Mas, não quero morrer já!!!

Risada geral...E aí, expliquei porquê...

 

Costumo ter sonhos que me deixam muitas vezes a pensar...

Vi-me num quarto branco a arrumar sapatos brancos...mas eram sapatos diferentes dos vulgares...eram de cetim, muito fofos, tinham rendas, laços, pérolas, flores... lindíssimos, etéreos...imaginei que fossem sapatos de anjos...

Estava encantada e extasiada...

Nisto, reparei que começei a elevar-me e fiquei no tecto a observar os sapatos.

Nesse momento, conscientemente, senti que estava a partir e, de repente pensei que ainda não queria ir...

Nem fazem ideia do esforço físico que fiz para descer daquela posição e voltar a pôr os pés no chão do quarto!...E acordei...

Os mistérios do nosso sub-consciente...

 

publicado por Belisa Vaio às 07:23 link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

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